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Intenção de consumo das famílias mantém alta em junho, mas preocupação com emprego futuro freia avanço

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    Portal Negócios
  • 30 de jun.
  • 3 min de leitura
ICF cresceu apenas 0,1%, contido pela cautela no índice "futuro do emprego", que recuou 0,2% em relação a maio e 6,3% na comparação com 2025.
ICF cresceu apenas 0,1%, contido pela cautela no índice "futuro do emprego", que recuou 0,2% em relação a maio e 6,3% na comparação com 2025.

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou em junho o seu crescimento mais tímido desde que a trajetória de alta teve início, em novembro do ano passado, com expansão de apenas 0,1% após o ajuste sazonal. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), embora o indicador geral tenha chegado a 105,5 pontos - renovando o maior patamar ajustado desde março de 2015 (107,8 pontos) -, a desconfiança em relação ao mercado de trabalho no médio prazo segurou o avanço mais expressivo do índice. A Perspectiva Profissional acumulou a segunda queda mensal seguida (-0,2%) e manteve retração frente ao ano anterior (-6,3%), refletindo o leve aumento na taxa de desocupação observado nos últimos três meses.


Esse comportamento contrasta com o quadro atual do mercado de trabalho, que permanece em nível historicamente positivo, com baixo desemprego e crescimento dos rendimentos. O componente de Emprego Atual subiu 0,2% no mês e registrou variação positiva de 1,8% na comparação anual. A maior parte das famílias brasileiras (42,2%) ainda enxerga o momento como seguro para o trabalho, o que indica que a apreensão está concentrada no horizonte de médio prazo, e não na conjuntura atual.


"O trabalhador brasileiro reconhece a força do mercado de trabalho no presente, mas a deterioração das expectativas futuras reflete um receio com as viradas de cenário no médio e longo prazo. Para que a confiança se consolide em consumo real e impulsione o PIB, as famílias e o setor produtivo precisam de um ambiente de mais estabilidade e previsibilidade", avalia o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

A cautela com o futuro profissional, aliada a um cenário de juros elevados, mantém o Nível de Consumo Atual abaixo da linha de satisfação de 100 pontos, em 92,8 pontos. Ainda assim, as decisões de compra futuras tendem a ser gradualmente retomadas. A Perspectiva de Consumo para os próximos meses acelerou o ritmo de crescimento mensal ao avançar 0,5% e sustentou alta de 2,9% na comparação com o ano passado - otimismo sustentado pela melhora em fatores como a desaceleração da inflação e a expectativa de continuidade na redução da taxa Selic.


Bens duráveis lideram intenção de compra no comparativo anual


O principal motor do comércio no período tem sido o recuo de preços em produtos de maior valor agregado. Em maio, o grupo de bens duráveis registrou deflação de 0,08%, enquanto o IPCA geral subiu 0,58%. No acumulado de 12 meses, o contraste é ainda mais expressivo: alta de apenas 0,78% para esse segmento, contra 4,72% do índice oficial. Esse ambiente favoreceu uma alta de 1,2% no Momento para Compra de Bens Duráveis na comparação mensal e de expressivos 20,3% em relação a junho do ano anterior, colocando esse componente na liderança das decisões de compra das famílias.

"O consumidor percebeu uma janela de oportunidade com a deflação de alguns bens duráveis observada ao longo dos meses, chegando a um patamar mais confortável do que os 4,72% do IPCA geral. Esse segmento de maior valor agregado é historicamente o mais exposto às oscilações do câmbio e ao preço de commodities vitais, como o petróleo, que sofreu forte instabilidade recente devido ao conflito internacional. Embora o Brent tenha dado trégua em junho, o rastro dessa volatilidade externa ainda ecoa na tomada de decisão das famílias", afirma o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Recorte por renda


Na comparação com junho de 2025, o índice bruto da ICF acumulou crescimento de 3,2%. O desempenho anual continuou sendo liderado pelas famílias de menor renda (até 10 salários mínimos), com alta de 3,6%, beneficiadas pelo diferencial inflacionário do INPC, que acumulou 4,42% em 12 meses até maio - abaixo do IPCA geral. No entanto, acompanhando a desaceleração do índice como um todo, esse grupo registrou queda mensal de 0,1% na intenção de consumo, interrompendo uma sequência de sete meses consecutivos de alta, puxada pelo recuo de 0,6% no componente que mede a perspectiva profissional. Já as famílias com renda acima de 10 salários mínimos avançaram 0,5% no mês, sustentadas por maior otimismo em relação ao mercado de trabalho.

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