Maranhão estreita laços com a China em busca de investimentos e industrialização
- Portal Negócios

- 1 de mai.
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Fotos: Nestor Bezerra - FIEMA
São Luís - Com o avanço das relações comerciais entre Brasil e China como pano de fundo, o Maranhão trabalha para consolidar uma nova fase de sua projeção internacional, desta vez com foco na captação de investimentos e no fortalecimento do setor industrial. Esse foi o tema central de uma reunião realizada na segunda-feira (4), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), que contou com a presença de lideranças empresariais, representantes do poder público e integrantes da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China.
O encontro foi organizado pelo Conselho Temático de Desenvolvimento Industrial e Inovação (CODIN) da FIEMA, em conjunto com o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos (SEDEPE). Na pauta, oportunidades para aprofundar a cooperação com o país asiático, com discussões sobre articulação institucional, missões internacionais e instrumentos para fomentar negócios entre os dois países. A vinda do presidente da Câmara Brasil-China, Charles Andrew Tang, ocorreu no âmbito da parceria de longa data entre a FIEMA e a SEDEPE, que tem contribuído para fortalecer a atração de investimentos, ampliar a inserção internacional do estado e impulsionar o desenvolvimento econômico sustentável.
Referência nas relações econômicas entre Brasil e China, Tang ressaltou a posição estratégica do Maranhão no cenário global, destacando seu papel no fornecimento de commodities e a qualidade de sua infraestrutura logística. Em sua avaliação, o estado reúne condições únicas para ampliar sua participação no comércio internacional, especialmente pela capacidade portuária e pela proximidade com rotas marítimas globais.
Superávit expressivo na balança comercial com a China
Dados do Observatório da Indústria do Maranhão corroboram esse diagnóstico. Em 2025, o estado exportou US$ 1,71 bilhão para a China, ao passo que as importações totalizaram US$ 289,3 milhões, resultando em saldo amplamente favorável ao Maranhão. A soja respondeu pela maior parte das exportações, com US$ 1,68 bilhão, seguida por celulose e minério de ferro. Ao longo dos últimos anos, a balança comercial com o país asiático manteve superávit consistente, evidenciando uma vantagem estrutural nessa relação.
No cenário mais amplo, a China ocupa a posição de maior parceiro comercial do Brasil, tendo adquirido cerca de US$ 100 bilhões em produtos brasileiros no último ano. Esse contexto aumenta o interesse de estados com perfil exportador, como o Maranhão, em aprofundar os laços bilaterais e ampliar a diversificação produtiva.
Além das commodities: o caminho para a industrialização
Durante o encontro, o presidente do CODIN e vice-presidente executivo da FIEMA, Luiz Fernando Renner, defendeu que o estado tem capacidade de avançar além da exportação de matérias-primas, e que a ampliação de parcerias deve mirar a atração de empreendimentos industriais que agreguem valor à produção local.
"O Maranhão possui infraestrutura logística competitiva, tanto para exportação quanto para importação, e pode se tornar também um polo de produtos industrializados", afirmou.
A estratégia envolve uma articulação estreita entre o setor produtivo e o poder público. Representando o governo estadual, o secretário adjunto da SEDEPE, José Domingues Neto, enfatizou o papel do Estado na construção de um ambiente propício aos negócios e à cooperação internacional.
"O Maranhão tem avançado na criação de condições institucionais para atrair investimentos e fortalecer cadeias produtivas. A aproximação com parceiros estratégicos, como a China, amplia nossas oportunidades de desenvolvimento e consolida o estado como um ambiente competitivo para novos empreendimentos", afirmou.
Setor espacial entra na agenda de cooperação
Outro tema abordado durante a reunião foi o potencial tecnológico do estado, com destaque para o setor espacial. O diretor de Governança do Setor Espacial da Agência Espacial Brasileira (AEB), Rogério Luís Veríssimo Cruz, apresentou iniciativas voltadas ao desenvolvimento do Centro de Lançamento de Alcântara, que incluem tanto sua consolidação para operações comerciais quanto o fomento ao desenvolvimento socioeconômico da região.
A cooperação internacional é apontada como fator decisivo nesse processo. O histórico de parceria entre Brasil e China na área espacial — como o programa de satélites Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS) - somado ao interesse recente de empresas estrangeiras, aponta para um ambiente favorável à expansão de investimentos tecnológicos. A participação de instituições locais, como universidades e entidades industriais, é considerada essencial para viabilizar esse avanço.
O evento reuniu ainda o vice-presidente executivo da FIEMA e presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE Maranhão, Celso Gonçalo; os diretores da FIEMA, Milton Campelo e Leonor de Carvalho; o 1º secretário da FIEMA, Pedro Robson Costa; o ex-presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Ted Lago; o empresário Paulo Salvador da Grão-Pará Maranhão; o superintendente de Planejamento e Desenvolvimento Econômico da SEDEPE, Pedro Dantas Rocha Neto; além de dirigentes da Emap, da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Sagrima), da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), do Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão (INMESQ) e representantes do setor produtivo.



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